Como ler rótulos de alimentos e fazer escolhas saudáveis

ler rótulos de alimentos mulher lendo

Ler o rótulo é a forma mais rápida de não cair nas armadilhas do supermercado. A embalagem bonita, a palavra “fit” e o “zero” em letras grandes dizem muito pouco; o que importa está na lista de ingredientes e na tabela, que quase ninguém olha. E desde que as regras de rotulagem mudaram no Brasil, ficou bem mais fácil comparar produtos.

Neste guia explico, passo a passo, como ler o rótulo dos alimentos: a lupa de alto teor, a tabela nutricional, a lista de ingredientes, os açúcares adicionados e as alegações que confundem.

ler rótulos de alimentos

O que mudou nos rótulos brasileiros

As regras da Anvisa que valem desde 2022 trouxeram três mudanças importantes (Anvisa, 2020):

  1. A lupa na frente da embalagem: um símbolo de lupa avisa quando o produto é alto em açúcar adicionado, alto em gordura saturada ou alto em sódio.
  2. A tabela por 100 gramas (ou 100 ml), além da porção, o que permite comparar produtos diferentes de forma justa.
  3. A linha de açúcares adicionados, separada dos açúcares totais.

Passo 1: olhe a lupa

Se o produto tem a lupa, ele tem muito de pelo menos um dos três itens. Não quer dizer que você nunca pode comer, mas é um sinal de que não deveria ser rotina. Entre duas opções parecidas, prefira a que não tem lupa ou tem menos itens nela.

Passo 2: leia a lista de ingredientes

Os ingredientes aparecem em ordem decrescente de quantidade: o primeiro é o que mais tem. Algumas dicas:

  • Lista curta e com nomes que você reconhece costuma ser melhor sinal.
  • Açúcar com outros nomes: xarope de glicose, maltodextrina, açúcar invertido, xarope de milho, dextrose, mel. Quando aparecem vários, o produto tem bastante açúcar, mesmo que nenhum esteja no começo da lista.
  • “Integral” de verdade: no pão e na bolacha integral, a farinha integral deveria ser o primeiro ingrediente, não a farinha de trigo comum.
  • Gordura hidrogenada ou “gordura vegetal” em biscoitos e salgadinhos é sinal de ultraprocessado.

Passo 3: confira a porção

As informações da coluna “porção” valem para a quantidade que o fabricante definiu, que muitas vezes é menor do que você come. Um pacote pequeno de biscoito pode ter duas ou três porções. Compare a porção do rótulo com o que vai realmente para o prato.

mulher escolhendo salmão no mercado

Passo 4: use a coluna de 100 gramas para comparar

Para escolher entre dois iogurtes, dois pães ou duas granolas, use a coluna de 100 g ou 100 ml: é a única forma justa de comparar produtos com porções diferentes. Os itens mais importantes:

  • Calorias: para quem está controlando o peso.
  • Proteína: quanto mais, mais saciedade. Um iogurte com 8 g de proteína em 100 g sacia bem mais que um com 3 g.
  • Fibras: quanto mais, melhor.
  • Açúcares adicionados: quanto menos, melhor.
  • Gordura saturada e sódio: quanto menos, melhor.

Passo 5: açúcar adicionado

A Organização Mundial da Saúde recomenda que os açúcares adicionados fiquem abaixo de 10% das calorias do dia, de preferência abaixo de 5% (Organização Mundial da Saúde, 2015). Para quem come 2.000 calorias, isso dá menos de 50 gramas por dia. Um único refrigerante de lata já tem perto de 35 gramas.

homem lendo rótulos de alimentos no mercado

Passo 6: sódio

A recomendação é ficar abaixo de cerca de 2.000 mg de sódio por dia, o equivalente a 5 gramas de sal. Embutidos, temperos prontos, salgadinhos, macarrão instantâneo e sopas de pacote podem ter metade disso numa porção. Quem tem pressão alta deve prestar atenção redobrada.

As armadilhas das alegações

  • “Zero açúcar” ou “diet” não quer dizer zero caloria. Muitos produtos zero açúcar têm muita gordura.
  • “Light” quer dizer que tem menos de algum nutriente em comparação com a versão comum, não que é leve.
  • “Fit”, “natural”, “funcional” não têm definição: são palavras de marketing.
  • “Fonte de proteína” pode ter bem pouca proteína por porção. Confira os gramas.
  • “Rico em fibras” num produto cheio de açúcar continua sendo um produto cheio de açúcar.
  • Barrinha de proteína pode ter mais açúcar do que proteína. Leia a tabela.

Na prática: três comparações rápidas

  1. Iogurte: prefira o natural ou o com mais proteína e menos açúcar adicionado por 100 g; adoce com fruta.
  2. Pão: prefira o que tem farinha integral como primeiro ingrediente e mais fibra.
  3. Granola e cereais: muitos têm açúcar como segundo ou terceiro ingrediente; aveia em flocos com fruta costuma ser melhor escolha.

Lembre que o Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda dar preferência a alimentos in natura, que nem precisam de rótulo. Veja o guia de alimentação saudável e como calcular as calorias da dieta.

Perguntas frequentes

O que significa a lupa na embalagem? Que o produto é alto em açúcar adicionado, gordura saturada ou sódio, conforme indicado ao lado da lupa.

Qual coluna da tabela devo usar? A de 100 g ou 100 ml para comparar produtos; a de porção para saber quanto você está comendo, ajustando para a quantidade real.

Produto sem lupa é saudável? Não necessariamente. Ele só não passou dos limites de açúcar adicionado, gordura saturada e sódio. Confira também a lista de ingredientes e a proteína.

Açúcares totais e açúcares adicionados são a mesma coisa? Não. Os totais incluem os açúcares naturais, como o da fruta e o do leite. Os adicionados são os colocados pela indústria, e são esses que vale limitar.

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Referências

  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 429, de 8 de outubro de 2020, e Instrução Normativa nº 75, de 8 de outubro de 2020, sobre a rotulagem nutricional dos alimentos embalados.
  2. World Health Organization. Guideline: sugars intake for adults and children. Geneva: World Health Organization; 2015.

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