Musculação depois dos 50: os benefícios que a ciência mostra e como começar com segurança

Homem grisalho fazendo remada unilateral com halter, acompanhado por uma treinadora

Depois dos 50, a musculação deixa de ser um treino para “ficar em forma” e passa a ser o que decide como você vai estar aos 60, 70 e 80: subindo escada sem esforço, carregando o neto, viajando sem depender de ninguém. E a melhor notícia é que o corpo responde ao treino mesmo em quem nunca entrou numa academia.

Neste post eu mostro o que os estudos dizem sobre a musculação depois dos 50, os cuidados para começar com segurança e um plano de 12 semanas para quem está começando ou voltando.

Sem treino, o corpo perde músculo a partir dos 30 anos

O que muda no corpo depois dos 50

  • Músculo: a perda começa por volta dos 30 anos e fica mais visível perto dos 50 (1). Com ela vão a força, o equilíbrio e parte do gasto de energia do dia.
  • Ossos: a densidade cai, principalmente nas mulheres depois da menopausa, e o risco de fratura sobe.
  • Força rápida: a capacidade de fazer força com velocidade cai antes da força máxima. É ela que segura você num tropeço.
  • Metabolismo: mais tendência a acumular gordura na barriga, a ter pressão e glicose mais altas.

Nada disso é destino. A maior parte é efeito de ficar parado, e a musculação mexe em todos esses pontos.

Homem mais velho fazendo rosca com halter

Os benefícios que os estudos mostram

Mais músculo e mais força. Numa revisão de estudos com adultos de 50 anos ou mais, a musculação aumentou a massa magra em cerca de 1,1 kg em poucos meses (2). Uma revisão brasileira com pessoas a partir de 55 anos encontrou ganho de força em braços e pernas, mais flexibilidade, melhora da capacidade de fazer as tarefas do dia a dia e da composição corporal (3).

Ossos mais fortes. Num estudo com mulheres na pós-menopausa com osteopenia ou osteoporose, 30 minutos de treino de força intenso e supervisionado, duas vezes por semana por 8 meses, aumentaram a densidade óssea da coluna em cerca de 3%, enquanto o grupo sem esse treino perdeu cerca de 1% (4). Treino bem conduzido não é perigoso para quem tem osso fraco: é parte do tratamento.

Viver mais e com menos doença. Quem faz treino de força tem de 10% a 17% menos risco de morrer por qualquer causa e menos doença do coração, câncer e diabetes. O maior benefício apareceu com 30 a 60 minutos por semana (5).

Cabeça e convívio. Treinar melhora o humor, o sono e a disposição, e o treino em grupo ou com acompanhamento ajuda a combater o isolamento (3).

Os cuidados para começar com segurança

  1. Passe no médico antes, principalmente se você tem pressão alta, diabetes, problema no coração, osteoporose ou está parado há muitos anos. Leve as orientações para quem vai montar o seu treino.
  2. Comece com máquinas e pesos leves. Elas guiam o movimento e dão segurança enquanto você aprende.
  3. Não prenda a respiração. Solte o ar na fase de esforço. Prender o ar faz a pressão subir muito durante a série.
  4. Dor articular não é para “aguentar”. Ajuste o exercício, a amplitude ou a carga. Dor que piora com o treino precisa de avaliação.
  5. Aqueça bem: 5 a 10 minutos de bicicleta ou caminhada e séries leves antes das pesadas.
  6. Inclua equilíbrio: ficar num pé só, andar em linha, subir e descer degrau com controle.

Grupo de pessoas acima dos 60 anos treinando com halteres sentadas na bola

Plano de 12 semanas para começar

Semanas 1 a 4: aprender o movimento

  • 2 treinos por semana, corpo inteiro, de 40 a 50 minutos.
  • Máquinas: leg press, cadeira flexora, supino ou peito na máquina, puxada, remada, desenvolvimento na máquina.
  • 2 séries de 12 a 15 repetições, terminando com folga.

Semanas 5 a 8: ganhar confiança

  • 2 a 3 treinos por semana.
  • Entram exercícios com halteres e com o peso do corpo: agachamento com apoio, ponte de glúteo, remada unilateral, subida no degrau.
  • 2 a 3 séries de 10 a 12 repetições, chegando mais perto do limite.

Semanas 9 a 12: progredir

  • 3 treinos por semana.
  • Aumente as cargas aos poucos, sempre que completar as repetições com boa técnica.
  • Inclua um exercício de potência, como subir o degrau com rapidez ou levantar da cadeira o mais rápido possível, com controle (6).

Em todas as semanas: caminhada ou bicicleta nos outros dias, de 20 a 40 minutos.

E se eu nunca treinei?

Nunca é tarde. Os estudos incluem justamente pessoas sem histórico de treino, e elas também colhem os benefícios. O que muda é o ponto de partida: comece onde você está, evolua aos poucos e mantenha a consistência. Três meses de treino regular já mudam a força, a disposição e o jeito de subir uma escada.

Para quem já passou dos 60, escrevi também sobre musculação na terceira idade.

Perguntas frequentes

É seguro fazer musculação depois dos 50? É, com avaliação médica quando necessária, técnica bem aprendida e carga que evolui aos poucos. O risco maior é ficar parado.

Quantas vezes por semana treinar depois dos 50? De 2 a 3 treinos de musculação, mais caminhada ou outro aeróbico nos outros dias.

Quem tem osteoporose pode fazer musculação? Pode e deve, com orientação médica e treino supervisionado. O treino de força é uma das formas de fortalecer o osso.

Musculação aumenta a pressão? Durante a série a pressão sobe, principalmente se você prender a respiração. Com o treino regular, a pressão de repouso tende a melhorar. Quem tem pressão alta deve estar com ela controlada e orientado pelo médico.

Dá para ganhar músculo depois dos 50? Dá. O ritmo é mais lento do que aos 25, mas o músculo responde ao treino em qualquer idade.

Referências

  1. Janssen I, Heymsfield SB, Wang ZM, Ross R. Skeletal muscle mass and distribution in 468 men and women aged 18-88 yr. J Appl Physiol. 2000;89(1):81-88.
  2. Peterson MD, Sen A, Gordon PM. Influence of resistance exercise on lean body mass in aging adults: a meta-analysis. Med Sci Sports Exerc. 2011;43(2):249-258.
  3. Macedo RC, Linhares FV, Almeida MA, et al. Efeito do treinamento de força na qualidade de vida de homens e mulheres a partir de 55 anos: uma revisão sistemática. Rev Bras Prescrição Fisiol Exerc. 2022;16(101):81-88.
  4. Watson SL, Weeks BK, Weis LJ, Harding AT, Horan SA, Beck BR. High-intensity resistance and impact training improves bone mineral density and physical function in postmenopausal women with osteopenia and osteoporosis: the LIFTMOR randomized controlled trial. J Bone Miner Res. 2018;33(2):211-220.
  5. Momma H, Kawakami R, Honda T, Sawada SS. Muscle-strengthening activities are associated with lower risk and mortality in major non-communicable diseases: a systematic review and meta-analysis of cohort studies. Br J Sports Med. 2022;56(13):755-763.
  6. Fragala MS, Cadore EL, Dorgo S, et al. Resistance training for older adults: position statement from the National Strength and Conditioning Association. J Strength Cond Res. 2019;33(8):2019-2052.

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