Um estudo clássico mostrou resultados rápidos que até hoje chamam a atenção: em apenas 10 semanas, um protocolo de treino de alta intensidade, realizado seis vezes por semana, levou a um aumento médio de 44% no VO₂max . Esse número é realmente expressivo para um período tão curto.
Mas o valor desse estudo não está só nos resultados. O ponto mais importante é o que os participantes relataram ao final dessas 10 semanas — e esse detalhe diz muito sobre como enxergar treinos extremamente intensos na vida real.

O programa incluía sessões curtas, frequentes e muito exigentes, com intervalos na intensidade máxima e corridas contínuas no limite. O estímulo semanal era mantido sempre próximo ao VO₂max — e os números evoluíram de forma consistente durante todo o período.
Aqui estão alguns dos dados centrais do estudo (descritos nas páginas 1 a 3):
Esses achados mostraram que, com estímulo suficientemente intenso e frequente, o organismo humano responde rápido e com grande capacidade de adaptação.

Quando a pesquisa chegou perto do fim, os autores perguntaram se os participantes continuariam com o programa por mais algumas semanas. A resposta foi praticamente unânime.
Segundo a descrição na página 4 do estudo:
👉 Quase todos disseram que queriam ter desistido antes,
👉 só continuaram por senso de responsabilidade,
👉 e se recusaram a seguir treinando depois das 10 semanas porque consideraram o protocolo cansativo demais e inviável para a rotina real.
Um deles até estendeu por três semanas adicionais, mas o grupo como um todo não quis seguir, mesmo com excelentes resultados fisiológicos.
Esse é o ponto-chave para qualquer discussão sobre intensidade: um treino não funciona se não é possível sustentá-lo.

É fácil olhar para o gráfico e pensar:
“Se subir 44% em 10 semanas, imagina em 20!”
Mas é aí que entra a realidade:
O estudo mostra o que acontece quando o estímulo é frequente, intenso e monitorado de perto.
Rotina, cansaço, motivação, vida social, trabalho e sono entram no jogo.
E se forem mal planejados, acabam levando ao abandono.
O protocolo foi mantido por 10 semanas porque havia supervisão, horário marcado, laboratório e cobrança.
Na vida real, esses fatores são mais complexos.

Um protocolo como o descrito no estudo é útil para mostrar:
Mas isso não significa que você deve — ou que você consiga — treinar dessa forma o tempo todo.
Treino bom é o que você consegue manter.
Rotina, trabalho, energia mental, recuperação, sono e motivação influenciam mais seus resultados do que a intensidade máxima possível.
O papel do treinador é exatamente esse:
👉 pegar o que a ciência mostra de melhor,
👉 adaptar para sua realidade,
👉 organizar intensidade e volume,
👉 periodizar ciclos mais fortes e mais leves,
👉 e construir um programa que você consiga fazer todos os dias — e por muito tempo.
Esse é o tipo de abordagem que realmente gera resultado.

Ciclos curtos de treino forte podem ser úteis, mas precisam ser planejados.
Assim como no estudo, pequenas progressões constantes podem gerar avanços significativos.
Alternar métodos e modalidades ajuda a manter o corpo treinando sem acumular lesões ou exaustão mental.
Coisa que o estudo não fez — tudo foi intenso por 10 semanas seguidas.
É o que determina se você vai continuar, evoluir e manter os resultados.

O estudo de Hickson é um excelente exemplo de como o corpo humano pode melhorar rapidamente quando o treino é estruturado e intenso.
Mas também é um lembrete claro de que treinos extremos não se sustentam no mundo real.
Os participantes tiveram ótimos resultados, mas não quiseram continuar porque o programa era exaustivo e incompatível com a vida cotidiana.
E isso reforça a mensagem mais importante:
👉 Resultados duradouros dependem de consistência, não de extremos.
👉 O melhor treino é aquele que você consegue fazer hoje, amanhã e daqui a 6 meses.
É assim que se constrói um corpo forte e condicionado — não com intensidade máxima o tempo todo, mas com planejamento inteligente.
HICKSON, R. C.; BOMZE, H. A.; HOLLOSZY, J. O. Linear increase in aerobic power induced by a strenuous program of endurance exercise. Journal of Applied Physiology, 42(3): 372–376, 1977.
1) Posso usar um treino parecido com o do estudo para melhorar rápido?
Até pode, mas apenas por períodos curtos e com acompanhamento. O protocolo do estudo é insustentável para a maioria das pessoas se feito por longos periodos.
2) Preciso treinar no limite para aumentar meu VO₂max?
Não. Progressões moderadas, intervalos bem planejados e consistência geram ótimos resultados sem desgaste extremo.
3) Por que os participantes desistiram após 10 semanas?
Porque o programa era muito cansativo e exigia mais do que é compatível com a vida real — exatamente por isso sustentabilidade importa tanto.